terça-feira, 23 de setembro de 2008

Vendo a vida passar

Muitos dias sem sair de casa... Eu me sentia presa dentro de mim mesma, mas o pior mesmo é aquela sensação de incapacidade. Parece que dei uma ré na vida e não consigo mais nem engatar a primeira! Todos os sonhos agora adiados, pareciam impossíveis para mim...
A universidade federal que eu tanto sonhei... agora estava trancada;
No auge dos meus 19 anos... a carteira de motorista novinha em folha estava lá às moscas.
Nunca me convidaram para tantos passeios, viagens... festas... nem preciso dizer que perdi quase todos!
Tabalho? Isso acontecia raramente quando eu coneguia acordar do efeito cinderela dos tais remédios... nada de estágio na minha área... nada de promoção! Eu realmente me sentia dentro de um cinema, vendo o trailer de tudo que eu já fiz de bom na vida... e na sessão ao lado todos viam minha vida passar... inclusive eu!

domingo, 21 de setembro de 2008

A música que melhor me traduziu por mais de um ano...

Meu mundo e nada mais

Guilherme Arantes
Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia
Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha
Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou mudado
À meia noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais
Não estou bem certo se ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura
Como ser mais livre, como ser capaz
De enfrentar um novo dia
Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou mudado
À meia noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Noite: Minha inimiga

Ele não pensou duas vezes e voltou... eu gritava de dor... até que uma hora não aguentei e gritei: PARA!!!! eu estou morrendo...Ele parou, eu lancei o capacete para o meio do mato... minha cabeça doía muito! -To morrendo... to morrendo... Jesus me ajuda!
-Calma, sobe aí...Vou te levar para o hospital...
-Me leva pra casa. Eu gritava
Jarbas vinha pilotando a moto com um braço, me segurando com o outro e com o coração cheio de arrependimento por ter me levado para aquele lugar.
Quando chegamos na porta de casa e ele me soltou eu caí no chão... minha mãe desceu as escadas correndo, mais desesperada do que eu... Nesse momento o pastor da igreja que eu frequento ia passando... Quando eu disse que estava com o coração doendo ele me colocou no carro e correu(literalmente) para o hospital geral da cidade. Minha boca estava seca... minhas mãos geladas e minha e minha cabeça dormente...
Chegamos. Colocaram em mim aqueles canudinhos de nariz, prendedor de dedo, e fios, muitos fios... mediram minha pressão...
Eu pensei: Agora eles devem entrar pelos corredores do hospital comigo, igual nos filmes... com certeza vão me apagar!
Sua pressão está alta e sua frequêcia cardiaca também-disse o médico- mas, nada muito alarmante... Você brigou com alguém ou está chateada com alguma coisa?
De novo essa ladainha. Pensei.
-NÃO! Respondi chorando mais alto que o cara ao lado que tinha acabado de chegar de um grave acidente de moto...
Foi aí que começaram a perceber que o problema era psicológico...
Fui encaminhada ao psiquiatra... e me deram alta... minha casa estava longe e eu estava com medo de ir embora, mas também estava com medo de ficar! Entre enfrentar o medo de passar a noite num hospital público e enfrentar o medo de ir embora, escolhi ir embora!
Pena que quando cheguei em casa não quis entrar... fiquei quase uma hora sentada na calçada olhando para o nada... Naquele momento a noite, que já me proporcionara tantas alegrias, agora era minha pior inimiga.

O pior dia do ano...

Um grande amigo veio me visitar... pra variar eu não estava bem! Ele não sabia o que fazer... na situação em que eu estava ninguém conseguia lidar comigo... meus amigos, minha família... ninguém jamais tinha me visto daquele jeito... nem eu! Mas, ainda assim Jarbas trouxe sua solidariedade e me convidou para um passeio. Já era umas nove da noite e ele queria que fossemos de moto até a cidade visinha q era pertinho... apenas doze quilômetros. Lá tem uma vista linda. Resolvi sair da toca... eu nunca neguei um passeio do moto, não seria hoje que iria negar- pensei.
- Vamos lá?
- Vamos...
Na estrada tem aquelas plaquinhas mostrando a quilometragem de dois em dois quilometros. Aquilo era uma tortura e eu ia o tempo todo fazendo as contas... a cada quilômetro parecia que o mato ia nos fechar e a escuridão nos engolir. Eu até tentei olhar para as estrelas, mas aquele capacete estava me apertando... quarto quilômetro... ainda faltam oito... acho que quero voltar! Quando chegou no sexto quilômetro meu coração não aguentou e disparou novamente... só que dessa vez mais forte do que todas as outras vezes. aquilo doía muito
- Jarbas, quero voltar... foi o primeiro som que consegui emitir...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Outro dia... outra dor!

Amanheceu... que bom que a noite passou! Pensei que aquele pesadelo não fosse acabar. Hoje tenho aulas na auto-escola. Nossa! Estou atrasada... Corri para o ponto de ônibus! Que estranho, senti um calafrio... ah, deve ser coisa da minha cabeça. Quando o ônibus começou andar comecei a ficar apreensiva! Saímos da área de maior movimento... Pronto! Já estava desesperada de novo... Celular sem crédito... mãããããeeee! Nessas horas eu só queria minha mãe... Sentia-me com cinco anos! Comecei a ligar para todos que eu conhecia... Será que eu estou morrendo e ninguém me fala nada? Nessas horas todos os celulares ficam fora de área... Desci no primeiro ponto que tinha gente perto! Entrei no shopping chorando... Todos me olhavam! Ninguém me ajudava... Nesse momento encontrei Lara, uma velha amiga que eu não via há muito tempo. Abracei a garota como se nunca mais fosse soltar;
- O que houve amiga?
- Me ajuda Lara... Me ajuda...
- O que está acontecendo?
Eu não conseguia responder... Liguei para uma amiga que ligou para outro amigo, que abriu mão do horário de almoço para vir ver o que estava acontecendo comigo. Quando ele chegou, Lara foi embora... Eu o abracei como se o mundo estivesse acabando! Acho que quem estava passando por ali naquele momento pensava: “Coitadinha... Ta se humilhando porque o cara a abandonou!” Parece até engraçado... Mas, pra mim não foi!
A partir desse momento eu já não queria sair de casa...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Não há nada de normal no que estou sentindo

-HÃ... normal... não tem nada de normal no que eu estou sentindo!
Levaram-me para o posto de saúde mais próximo... eu não conseguia andar!
-Busquem uma cadeira de rodas- pediu a moça de branco!
-Cadeira de rodas?- Meu Deus, será que estou perdendo os movimentos?
Colocaram-me na maca e mediram freqüência cardíaca, oxigenação do cérebro e pressão... tudo normal!
Eu não podia acreditar! Os aparelhos só podiam estar errados... eu me sentia mal, aquilo não era nada normal. Minha mãe chegou... eu chorava muito...
-Você brigou com alguém? Perguntou a doutora
-Não! Eu dizia soluçando...
-Estava triste com alguma coisa?
-Não!
-Você comeu alguma coisa hoje?
-Um pão de queijo...
Puseram um soro em mim e concluíram que o que eu tinha era fome...
Está tudo bem-dizia uma moça muito educada- e eu pensava- Não está nada bem!Meu coração está quase saíndo pela boca...-Quando acabou o soro me deram alta e eu fui para casa. Eu não entendia o que tinha acontecido comigo. Queria explicações. Minha mãe falava que me levaria ao cardiologista e o que eu sentia era medo daquela dor voltar!

Tudo começou assim...

Quando eu acordei parecia que aquele seria apenas mais um dia comum da minha vidinha tão tranqüila. Eu pegava dois ou três ônibus para chegar a universidade... naquele dia estava atrasada, mas não me chateei, afinal consegui ir sentada, o que era raro. Sentei, abri meu livro e fui lendo até chegar no portão da universidade. Foi quando senti uma pontada no coração. Eu já tinha sentido aquela pontada uma vez, mas logo passou, então esperei que passasse, mas não foi bem assim. A dor foi aumentando e quando percebi já estava com a cabeça doendo muito, braços e pernas dormentes...
-Você está bem moça? Perguntou o rapaz ao meu lado
-Não estou me sentindo bem -disse eu- aiiii, me ajudem, por favor... Não estou nada bem!
Logo se formou uma rodinha de curiosos e preocupados ao redor de mim. Duas pessoas me ajudaram a descer do ônibus. Eu estava desesperada... aquela sensação era horrível.
-Estou morrendo... Senhor me ajuda! – Eu dizia; - Pai, o que é isso? Liguem para a minha mãe...
Uma moça que eu não conhecia ficou o tempo todo ao meu lado. Ela ligou para a minha mãe e para a ambulância também. Eu ouvia alguém dizendo que eu estava tendo um ataque cardíaco. Comecei a ficar com muito medo... Naquele momento eu só queria a minha mãe.
A ambulância chegou! Colocaram-me dentro... mediram minha pressão!
-Pressão normal, disse uma moça loira, toda de branco... ali começava o meu drama