Ele não pensou duas vezes e voltou... eu gritava de dor... até que uma hora não aguentei e gritei: PARA!!!! eu estou morrendo...Ele parou, eu lancei o capacete para o meio do mato... minha cabeça doía muito! -To morrendo... to morrendo... Jesus me ajuda!
-Calma, sobe aí...Vou te levar para o hospital...
-Me leva pra casa. Eu gritava
Jarbas vinha pilotando a moto com um braço, me segurando com o outro e com o coração cheio de arrependimento por ter me levado para aquele lugar.
Quando chegamos na porta de casa e ele me soltou eu caí no chão... minha mãe desceu as escadas correndo, mais desesperada do que eu... Nesse momento o pastor da igreja que eu frequento ia passando... Quando eu disse que estava com o coração doendo ele me colocou no carro e correu(literalmente) para o hospital geral da cidade. Minha boca estava seca... minhas mãos geladas e minha e minha cabeça dormente...
Chegamos. Colocaram em mim aqueles canudinhos de nariz, prendedor de dedo, e fios, muitos fios... mediram minha pressão...
Eu pensei: Agora eles devem entrar pelos corredores do hospital comigo, igual nos filmes... com certeza vão me apagar!
Sua pressão está alta e sua frequêcia cardiaca também-disse o médico- mas, nada muito alarmante... Você brigou com alguém ou está chateada com alguma coisa?
De novo essa ladainha. Pensei.
-NÃO! Respondi chorando mais alto que o cara ao lado que tinha acabado de chegar de um grave acidente de moto...
Foi aí que começaram a perceber que o problema era psicológico...
Fui encaminhada ao psiquiatra... e me deram alta... minha casa estava longe e eu estava com medo de ir embora, mas também estava com medo de ficar! Entre enfrentar o medo de passar a noite num hospital público e enfrentar o medo de ir embora, escolhi ir embora!
Pena que quando cheguei em casa não quis entrar... fiquei quase uma hora sentada na calçada olhando para o nada... Naquele momento a noite, que já me proporcionara tantas alegrias, agora era minha pior inimiga.